“julho de 2010. volto a achar que tenho coisas a dizer”.
por favor, não me olhe desse jeito. quando dei nisso, os diários já se escreviam a céu aberto. o basta não é meu. digo, historicamente. é um desconcerto, eu sei, tanto quanto você. mas não posso passar sem um espaço de organização, e falo aqui de uma organização pública. desde menino tive essa coisa com a interlocução valiosa, uma vontade de palanque notoriamente mal-agenciada, uma primeira condenação (possivelmente zodiacal) que não me deixava escrever só, sempre para alguém. devo admitir, nunca consegui abordar a escrita como algo íntimo, meus cadernos espalhados pela casa. “difíceis”, supõe-se; mas franqueados. suspeito não ter nenhuma interioridade. como é que se diz? “só fachada”. talvez. esta nota é porque também nunca consegui encontrar uma liberação no outro, as mesmas exatas medidas. e desconfio que nunca estive tão no meio em toda minha vida.
novamente, meu nome é ismar tirelli neto. 25 anos incompletos e meus planos de viver um tórrido caso de amor subvencionado pelo estado nunca pareceram tão distantes. não me profissionalizei em nada, por pura debilidade de espírito. vou me defendendo com pequenos trambiques & o ocasional bico de tradução. tenho um horror lúbrico das questões acadêmicas. é terrivelmente possível que eu retorne. tudo é. em 1967 eu não era vivo, portanto não matei ninguém.
em agosto de 2008 lancei um livro chamado “synchronoscopio”. é das poucas coisas que não me arrependo de ter feito, ainda.

eu, guy jablonski, gostaria de atestar a todos os que possam vir a ler esta mensagem, que em agosto de 2008 eu não compareci ao lançamento do seu livro, o synchronoscopio, uma das poucas coisas de que me arrependo amargamente.
[obs. isto é um mitema].
Leria esse livro, se oportunidade tivesse.